Contemplando a Imagem do Sonho

Contemplando a Imagem do Sonho
 
O sonho é essencialmente imagem. Apresenta-se como linguagem imagética e pictórica. Essas imagens nos causam sensações, deixam impressões para além do nosso entendimento racional.
Quando relembramos um sonho, seguimos nebulosamente essas imagens, sem fazer muito esforço para não dispersar a imagem, caminhamos de forma suave e fluida, confiante!
 
Essa rememoração do sonho e sua posterior leitura exigem duas atitudes opostas/complementares: concentração e intuição.
Por uma lado perseguimos as imagens focando nossa atenção, num movimento unidirecional da Consciência. Por outro lado, deixamos aberta nossa escuta intuitiva que nos anuncia, como um sopro, uma nova direção.
Esse é o trabalho com sonhos, permitir essa conversa entre a Consciência e o Insconsciente, o que Jung chamou de Função Transcendente, vital para a realização do Self.
 
Contemplar cada imagem do sonho exige esse movimento de foco e amplitude, concentração e abertura.
É um processo bem intenso, de mergulho mesmo nessas imagens internas. Pode ser demorado, pode ser até exaustivo a análise de um sonho, porque nos exige uma disciplina interna com a nossa atenção e uma profunda confiança na intuição. Não é um trabalho intelectual e lógico, porque precisamos checar antes no corpo e na alma o caminho que estamos percorrendo.
 
Desse trabalho, após a análise e leitura de um sonho, algumas imagens ficam mais nítidas, mais fortes, mais marcantes. Essas são as imagens que busco materializar através das mãos.
A intenção não é chegar à uma imagem exatamente próxima à imagem do sonho, ou a algum trabalho esteticamente belo, mas sim, corporificar a mensagem recebida.
 
E a medida que as mãos trabalham buscando representar a imagem onírica, outras mensagens se apresentam, ampliando ainda mais a visão sobre o sonho. Dificuldades com o material ou com a técnica, estados de ânimo, idéias pre-concebidas sobre estética, certo e errado, fluidez e estagnação.
 
Além disso, o que vemos se apresentar através trabalho manual é uma outra imagem, que embora remeta àquela do sonho, já não é a mesma. Agora temos uma nova imagem, que abrange parte das informações da imagem onírica original mas traz muitos outros elementos que o Insconsciente revelou através do fazer com as mãos.
 
Essa representação manual da imagem fica como um lembrete da sensação/intuição/elaboração que tivemos do sonho, como um amuleto que podemos carregar para nossa espiral evolutiva.
 
Contemplar as imagens do sonho e poder materilizá-las manualmente é uma meditação que dissolve energias estagnadas contidas nessas imagens e as coloca disponíveis e em fluxo.
 
sonhos imagem sol tapete

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